CONVÍVIO DAS GENTES DE CAÇARELHOS 2011

Por um dia Caçarelhos “invadiu” o Ribatejo. Realizou-se mais um convívio das gentes de Caçarelhos, residentes na área da grande Lisboa. Este ano, e penso que pela primeira vez na história dos nossos convívios, tivemos a honra da presença do Presidente da Junta de Freguesia de Caçarelhos e ainda Emília Pires e marido e Maria da Luz Ramos que se deslocaram de propósito e a nós se juntaram no convívio. Para eles o nosso apreço e voltem sempre.
Este ano os mordomos, escolheram e muito bem as terras do Ribatejo, onde a partir da cidade de Alverca, o nome da localidade de Caçarelhos, estava presente em todos os cruzamentos, para nós nos conduziam ao local do convívio. Para outros a surpresa do aparecimento de uma nova placa indicativa de uma nova localidade ali no Ribatejo. Sim, por um dia Caçarelhos/Vimioso, passou a ser Caçarelhos do Ribatejo, ali bem na encosta da serra sobrancelha a Alverca do Ribatejo.
Houve este ano alguma inovação, a começar pelo prato tipicamente do Oeste (Porco assado no espeto), e claro que as boas sardinhas não podiam faltar e que verdade seja dita eram boas, mas saborosas como aquelas que outrora se comiam em Caçarelhos, parece-me que não haverá sabor igual.
Pois de parabéns estiveram toda a organização, as famílias Bartolomeu e Pires que a todos nos proporcionaram momentos de grande convívio, matando saudades e proporcionando por a conversa em dia
Houve também os já habituais jogos da cunca e da pedrisca e ainda a Corrida da Rosca para delírio e festa da pequenada concorrente.
E, não podia deixar de referir os dotes musicais em concertina do Óscar, que abriu o bailarico proporcionando também alguns momentos de diversão e alegria.
Para todos, depois de alguma ausência nas publicações deste Blog, volto de novo partilhando com todos os que no convívio estiveram e com todos os que por um ou outro motivo não puderam estar presentes, aqui deixo estes vídeos. Um abraço.







16 Convívio das Gentes de Caçarelhos Residentes na zona da Grande Lisboa










ENTRUDO

Numa recente deslocação a acompanhar o meu filho a Podence "Macedo de Cavaleiros" tive a honra e o previlégio de reviver com muita saudade aquele ritual que antigamente era bem querido pela mocidade de Caçarelhos. Assim, vou partilhar com os conterrâneos e todos quantos visitarem este blog momentos que estou certo irão gostar, recordando com saudade
O ENTRUDO
Entre o fim do Inverno e princípio da Primavera que aconteciam os rituais próprios do Carnaval. Rituais que ainda hoje tem grande implantação por todo o Planalto Mirandés, transportando através dos tempos, festas relacionadas com a Natureza e celebradas em honra do deus dos pastores e rebanhos. Rituais que são considerados por muitos como expurga-tórios dos demónios através do fogo, queimando em público tudo o que é velho, ligando os mascarados que nesses dias fazem judiarias a tudo e todos quantos se lhe atravessem no caminho, cometendo todos os excessos, daí a expressão popular ”é Carnaval, ninguém leva a mal”. Em terras do Planalto Mirandés, onde Caçarelhos está inserido , outrora havia dois ciclos festivos de grande significado para a mocidade (dia de Reis e Carnaval, conhecidas como festas solstíciais). Esta dava azo aos casamentos de Carnaval, e bem lá no alto da povoação, frente à igreja, de almude na mão a servir de megafone destorcendo a voz para não ser identificado, os moços mais entendidos neste ritual, faziam, daqueles namoricos escondidos de tudo e todos, ao bater da meia-noite começava então a festa de escárnio e mal dizer, turreavam-se os casamentos, noivos, dotes e padrinhos, explorando sempre pontos sensíveis das pessoas visadas, achincalhando-as com a atribuição aos respectivos noivo e noiva, padrinhos e dotes ridicularizando-os.
Esta era uma acção com características satíricas que era aproveitada nesta ocasião proporcionando a crítica e ridicularização de tudo e todos e tudo era consentido e ninguém levava a mal.
ERA ASSIM QUE A “TURREAR” SE COMEÇAVA O RITUAL DOS CASAMENTOS DE CARNAVAL
1.ª Voz - Palhas, alhas leva-as o vento!
Coro - Oh, oh, oh…
1.ª Voz – Aqui se vai formar e ordenar um casamento!
Coro - Oh, oh, oh…
1.ª Voz - E quem é que nós vamos casar?
Coro – Tu o dirás!
1.ª Voz - Há-de ser, há-de ser, a Ana ………………………….., que mora na capela!
Coro - Oh, oh, oh…
1.ª Voz - E quem é que nós havemos dar para marido?
Coro – Tu o dirás!
1.ª Voz - Há-de ser, há-de ser, o Francisco …………………., que mora na fontázia!
Coro - Oh, oh, oh…
1.ª Voz - E que nós havemos de dar de dote a ela?
Coro – Tu o dirás!
1.ª Voz - Há-de ser, há-de ser, o tear, porque ela é uma boa tecedeira!
Coro - Oh, oh, oh…
1.ª Voz - E que mais havemos de dar de dote a ele?
Coro – Tu o dirás!
1.ª Voz - Há-de ser! Há-de ser! O lameiro de Bidoledo para que não saia um de cima do outro enquanto for Inverno!
Coro - Oh, oh, oh…
Estes eram momentos considerados de escape, em que publicamente tudo e a todos era dito, sem que resultasse qualquer sanção pelas palavras, gestos ou atitudes proferidas. Pena é que este ritual tenha caído, perdendo-se uma tradição de gerações.



CAÇARELHOS TERRA DE TRADIÇÕES

Tradições da Mocidade “Juventude” de Caçarelhos
Era uma obrigação dos moços recém-casados para com os rapazes solteiros da aldeia, e era pago, sensivelmente, entre os 15 e 30 dias após o casamento, nele apenas podiam participar os maiores de 20 anos, de chapéu, casaco e colarinho apertado, salvo quando o Sr. Juiz, excepcionalmente, decidisse em contrário.
Dos actos e da disciplina e da disciplina do Paga-Vinho

O Paga-Vinho era presidido pelo “Juiz” da mocidade (eleito para presidir aos destinos da Mocidade “Juventude” pelo período de um ano) a quem competia dirigir os trabalhos do acto, e zelar pela disciplina e comportamento rigoroso dos participantes
1.O Sr. Juiz era assessorado por um Secretário e um Tesoureiro, (eleitos nos mesmos termos do número anterior), bem como por dois “escabeciantes”, competindo a estes a distribuição do vinho e dos cigarros.
2.A fim de dar início ao Paga–Vinho, e para que os participantes se pudessem preparar cuidadosamente, o Sr. Juiz batia as palmas por três vezes, com intervalos de cerca de um minuto.
3.À terceira e última série de palmas, todos os participantes no acto formavam em círculo à volta da “caixa”, do “bombo”, do vinho, do tabaco e do noivo, e deveriam ficar em posição de sentido, de chapéu na cabeça, casaco e colarinho devidamente apertados.
4.Depois do córrio “circulo” formado, apenas podiam entrar nele quem fosse autorizado pelo Juiz, a quem havia que pedir sempre autorização, nos termos seguintes: -- Dá-me licença Sr. Juiz que entre no córrio?.
5.Ao centro do referido córrio ficavam o Sr. Juiz, ladeado pelos Secretário e Tesoureiro, e dali dirigia os trabalhos. Os participantes apenas se podiam dirigir ao Juiz em caso de justificada necessidade, usando sempre o mais rigoroso respeito e obediência proferindo: -- Dá-me licença Sr. Juiz?
6.O Sr. Juiz nomeava então dois “escabeciantes”, de entre os participantes no acto, a quem incumbia a distribuição do vinho e dos cigarros.
7.De seguida, o Sr. Juiz percorria o córreo pela parte de dentro e nomeava (segredando-lhe ao ouvido) as três espias, a quem incumbia a observação do comportamento dos participantes, para efeitos de aplicação e pagamento de multas aos prevaricadores, as quais constituíam receitas para a Mocidade.
8.O montante das multas, era ditado pelo Sr. Juiz no início da sessão, depois de deliberar com o Secretário e o Tesoureiro.
9.O Sr. Juiz, ordenava aos “escabeciantes”, já munidos de uma caneca e um copo, para dar início à distribuição do vinho.
10.Antes de darem início à distribuição, os “escabeciantes”, pediam licença ao Sr. Juiz, nos termos seguintes: -- Dá licença Sr. Juiz que dê início à distribuição do vinho?
11.Nesta primeira distribuição, os participantes não podiam beber, mas apenas tocar com os lábios no copo; para o efeito, tiravam o chapéu deslocando-o até ao joelho e, antes de tocar nos lábios com o copo, davam a saudação dos noivos, nos termos seguintes: -- “À saúde do noivo e da noiva e da mais comunidade toda!”
12.Todos os procedimentos eram repetidos e aplicados à distribuição dos cigarros.
13.Findas estas duas rodadas, o Sr. Juiz interpelava os “espias” para denunciarem as infracções que tivessem presenciado. A cada infracção caberia uma multa, que devia ser paga de imediato.
14.A seguir o Sr. Juiz mandava destroçar o “córrio” para intervalo.
15. Volvidos cerca de dez minutos repetiam-se todos os procedimentos anteriores, sendo que, agora, na rodada do vinho, os participantes já podiam beber.
16.Findo o acto, o Sr. Juiz mandava destroçar, sendo que de tudo seria lavrada uma acta no Livro da Mocidade.
NB: A Administração deste Blog agradece a cedência de direitos de autor deste documento a César Augusto Magalhães João (Ex-Juiz da Mocidade de Caçarelhos).
E para que conste na história de Caçarelhos e perdure para as gerações vindouras faço esta publicação. José Ventura.

Convivio das Gentes de Caçarelhos na Quinta da Atalaia - Seixal

Era assim a festa que a mocidade da aldeia fazia quando um jovem deixava a vida de solteiro e passava para a vida mais responsável com o casamento. era assim que depois da lua de mel, os jovens recém casados faziam a despedida de solteiros em convívio com a mocidade da aldeia. Era o paga vinho dos noivos. Os rapazes faziam o córreo e dentro de uma diciplina rigorosa observada pelo Juíz (eleito por sufrágio da própria mocidade). As raparigas, brindavam a noiva com a corrida da rosca. (aguarda-se pormenores veridicos e historicos desta tradição, que será publicada logo que desponível).



Festa Sr.ª da Assunção 2000 Homenagem aos Mordomos

Desta vez lembrei-me de conduzir todos aqueles que cliquem neste Blog, bem como todos aqueles que são, ou se identificam com Caçarelhos, e me acompanhem em mais um motivo de recordação e saudade do que se passou em Caçarelhos no dia 20 de Agosto de 2000. Eram os mordomos da festa da Srª da Assunção o casal Sr. António Alberto Rodrigues e D. Claudina Mondragão. Foram eles que volvidos trinta e cinco anos proporcionaram a toda a aldeia momentos de muita saudade e algumas lágrimas nos rostos de muita gente de Caçarelhos, que, naqueles momentos lembraram Joaquim Ventura, aquele que outrora era acarinhado pela mocidade dos anos trinta e que a ele recorria para tocar a gaita juntamente com Fulgêncio, Manuel Baptista na caixa e bombo e por vezes Horácio e Armando Vicente, nos dias de festa, ou aos Domingos na Olmeda! Pois foi este casal de mordomos que perguntaram se haveria possibilidade do neto de Joaquim Ventura (na altura com apenas 11 anos) seria capaz de tocar a alvorada para a festa de que eram mordomos. Acreditem que fiquei sensibilizado, transmiti o convite ao "Puto" e aconteceu o que vos proponho ver nos vidios que aqui publico. O "Puto" fazendo trio com Armando Vicente e António Cordeiro deram tudo para que fosse do agrado de Caçarelhos, e na minha modesta opinião a prova foi superada. Desta forma quero homenagear publicamente o esforço e dedicação dos mordomos António e Claudina, bem como, o trio de gaiteiros e todos aqueles que gostam e amam Caçarelhos.


De entre muitas, esta foi e será sempre a "RIQUEZA DE CAÇARELHOS"

A identidade cultural de um povo, é a sua verdadeira riqueza, e traduz-se pela sua capacidade de preservação das tradições regionais e pelo interesse que as suas gerações mais jovens tem em respeitar e absorverem todo o manancial de memórias que lhes foram transmitidas por todos aqueles que os precederam na passagem do testemunho entre gerações. As tradições culturais e musicais de Caçarelhos passam necessàriamente pela Gaita-de-Foles, Folclore e Danças Mistas instrumentos que tem aqui nesta aldeia uma rusticidade única e que a Juventude local tem legitimidade para preservar.